CONTEÚDO DO LIVRO – Língua portuguesa

Título do Livro

FAMÍLIA SCHNEIDER

A família de gaúchos com raízes alemãs que há seis gerações mantém o gosto pela música apresenta
„THE SCHNEIDER´S”
Quinze de Novembro, Rio Grande do Sul, Brasil
Organização
“Grupo Cultural Som Legal”

Apresentação
A cor dos olhos, o tom da pele, traços da fisionomia… Tudo isso está em nossa carga genética, sendo transmitido com o passar das gerações. Mas, e além do campo físico, poderia uma característica da personalidade transcender o tempo, unindo através de uma habilidade aquilo que o DNA não consegue transmitir?

Essa habilidade que tem unido a família Schneider, além dos laços sanguíneos, por diversas gerações, é a música. E este foi o tema motivador para o trabalho que está em suas mãos agora. Um Livro-CD que, mais do que contar a história de uma família que há seis gerações une seus descendentes através da música, pretende também recuperar aspectos culturais germânicos presentes na comunidade de Quinze de Novembro, Rio Grande do Sul, Brasil, e principalmente, resgatar o interesse dos leitores por este elemento tão importante na identificação comunitária que é a música.
No livro, é abordada a história da família Schneider, desde a chegada ao Brasil, passando às gerações que se sucederam, desde a região da Colônia Velha até o município de Quinze de Novembro. Também recuperamos informações sobre a região de onde a família vivia na Alemanha, antes da imigração para o novo continente. Este conhecimento possui valor histórico-documental e, ao longo da redação, juntamente com as datas e informações técnicas, acrescentamos imagens, fotos e informações que foram transmitidas ao longo dos anos pela família, através de relatos orais. O objetivo é deixar o texto simples, e a leitura, agradável e mais leve comparada a um livro puramente histórico.
Após conhecer a história da Família Schneider ao longo das seis gerações, o assunto principal se volta para os trabalhos da família com a música: os conjuntos musicais, projetos culturais, trabalhos gravados e reproduzidos, apresentações em festivais pelo Brasil.
Os conjuntos e projetos musicais da família Schneider também são apresentados, desde as primeiras “bandinhas” que animavam os bailes dos primeiros imigrantes e descendentes nas colônias alemãs, até o trio “The Schneider’s”, composto pela quinta e sexta geração de músicos da família nascidos no Brasil. Os componentes da banda, com o suporte do Grupo Cultural Som Legal, deram corpo à execução deste projeto, e, dentre outras atividades, compuseram e produziram as músicas que compõem o CD.

Já o trabalho em áudio, o CD, traz canções compostas e produzidas pela família através do trio The Schneider´s. Das 16 faixas, 13 são inéditas, 02 são regravações e 01 é de domínio público. A faixa título é a canção “Seguir o Caminho.”

Desejamos que tenha uma excelente leitura e audição deste material, enfim, uma excelente “viagem” pela história da Família Schneider!

Reflexão

“Filho meu, Filha minha, ouve a instrução de teu pai, e não deixes o ensinamento de tua mãe,porque serão como diadema graciosa em tua cabeça, e colares ao teu pescoço.”

(Provérbios 1:8-9)

Motivação para realizar o projeto

Devoção e amor à Família
(Heinz, Edelgard, Volnei, Magali, Thaís und Thales)

1. TRAJETÓRIA HISTÓRICA DA FAMÍLIA SCHNEIDER
Os pioneiros
Porto Alegre, capital do Estado do Rio Grande do Sul, 19 de julho de 1847. Neste dia, atracava a barca a vapor ‘Porto-alegrense’. Após pouco mais de dois meses de viagem do velho para o novo continente, Georg Schneider e Katharina Kurz Schneider davam seus primeiros passos em solo gaúcho, iniciando uma nova vida na nação onde dariam continuidade à família Schneider.

A motivação para deixar a Alemanha e aventurar-se pelas terras desconhecidas do sul do Brasil provinha do sonho de encontrar no Novo Mundo as condições de progresso que não eram mais possíveis no país de origem da família. Crises agrícolas, escassez de terras para a crescente população e a instabilidade política preocupava os colonos alemães. A Revolução Industrial fez com que as máquinas substituíssem boa parte da mão de obra local e profissões antes valorizadas foram se depreciando. Somado a isso, o recém-independente império Brasileiro prometia aos imigrantes uma série de vantagens para iniciar a vida no país. Desta forma, muitas famílias viam nas terras brasileiras a esperança de trabalhar por um futuro melhor para seus filhos, e para isso, se sujeitaram ao desconhecido, enfrentando uma série de dificuldades até chegar ao destino.

A história da família Schneider no Brasil, apresentada neste livro, inicia com Georg Schneider, o imigrante. Georg nasceu em 23 de outubro de 1815, no pequeno povoado de Holzbach, pertencente ao município de Simmern (Rhein-Hunsrück, Rheinland-Pfalz), de onde partiram grandes levas de alemães emigrantes rumo ao porto de Hamburgo (de onde então embarcavam rumo ao novo país). Ele casou-se em 05 de outubro de 1840 com Katharina Kurz (ela, nascida em 22 de fevereiro de 1822), no povoado de Gemünden (Kirchberg, Rhein-Hunsrück-Kreis, Rheinland-Pfalz), onde o casal viveu sua vida matrimonial até a saída da Alemanha e onde iniciou a criação dos três primeiros filhos. Georg desempenhava as funções de ferreiro, professor e maestro de corais.
É interessante lembrar que muitos dos sobrenomes alemães tinham relação com a profissão dos patriarcas da família – seja a atividade o ofício principal ou uma alternativa para aumentar a renda da família. Dessa forma, a família Schneider foi assim denominada por seus membros desenvolverem, principalmente, a função de alfaiate. Hoje, “Schneider” é o terceiro sobrenome mais comum na Alemanha.
O casal e seus três filhos nascidos na Alemanha embarcaram para o Brasil em 1847. Não há indícios exatos se a família arcou com todas as despesas da imigração ou se foi auxiliada pelo governo brasileiro, apesar das evidências históricas darem conta de que o período em que a família de Georg Schneider saiu da Alemanha os próprios colonos assumiam os custos.
Na bagagem para a nova vida, poucos pertences de valor. O que possuíam era leiloado antes da primeira viagem de Simmern até o porto, o que resultava em um valor em dinheiro que era utilizado para manter a família até chegar ao novo país. Do porto de Hamburgo até o de Rio Grande foram mais de 70 dias em alto-mar, enfrentando todas as dificuldades e perigos que uma viagem longa nos barcos à vela da época consigo traziam. O trajeto era difícil, pois além do desconforto, havia o risco iminente da ocorrência de doenças. O navio que conduziu os Schneider’s na travessia do Atlântico foi o brigue-escuna ‘Antonia’, que seguindo o roteiro comum às embarcações do tipo que traziam imigrantes, aportava no Porto de Rio Grande. Comumente, após a chegada do grande veleiro de sua viagem intercontinental, os imigrantes permaneciam alguns dias em Rio Grande, aguardando a viagem em embarcações menores, para chegar a Porto Alegre, após aproximadamente mais quatro dias de viagem através da Lagoa dos Patos. Foi a barca a vapor ‘Porto-Alegrense’ que levou os Schneider’s imigrantes até a capital do Estado, chegando no dia 18 de julho de 1847. Lá chegando, mais um troca de barco: ainda mais simples, movido a remos ou longas taquaras, para poder chegar até o destino final da viagem pelas águas: São Leopoldo.

O município de São Leopoldo foi a principal colônia gaúcha de imigrantes alemães. As famílias que lá chegavam partiam rumo a uma das cinco zonas, mais tarde denominadas “sedes de freguesias”: São Leopoldo, Novo Hamburgo, São Miguel, Bom Jardim e São José. A família de Georg Schneider fixou residência na sede de freguesia “São Miguel”, mais precisamente na localidade de Picada Verão, (conhecida também como Sommer Schneiz). Esta localidade pertencia na época ao município de Dois Irmãos, hoje, Sapiranga. No povoado e nos arredores estavam estabelecidas famílias de imigrantes, muitas há mais de décadas, afinal os Schneider’s vieram ao Brasil no segundo grande movimento imigratório, que se estendeu até o ano de 1870, após a Revolução Farroupilha.

O distrito de Picada Verão, em Sapiranga (divisa com o município de Dois Irmãos), além de seu grande acervo histórico sobre a colonização, através das residências e igrejas remanescentes à época da colonização, é importante também devido a seu valor turístico/ecológico. Em Picada Verão, há camping, sítios e reservas ecológicas.
A família de Georg Schneider e Katharina Kurz Schneider, com seus filhos Susanna, Catharina e Christian, nascidos na Alemanha, logo começou a aumentar no Brasil. Em Picada Verão, nasceram mais seis filhos do casal: Georg Nicolaus, Jakob, Heinrich, Peter, Margaretha e Elisabeth.
Devido ao grande número de descendentes dos imigrantes pelo Brasil, nos centramos na história da descendência direta de Georg Schneider até Thaís e Thales Schneider. Como as informações sobre a família estarão em constante atualização, a árvore genealógica mais completa será disponibilizada por meio virtual, nos endereços:
https://familiaschneiderdesde1847.wordpress.com/, http://www.theschneiders.com.br/, e http://www.somlegal.com.br.

Ao que indicam as referências históricas pesquisadas pela família, Georg Schneider possuía parentes imigrantes que já viviam nas colônias alemãs quando da chegada da família. Em posse das terras no novo país, o trabalho constituía-se na construção da própria casa e na preparação das lavouras com a derrubada de árvores. Assim, a agricultura constituía-se na principal atividade, possibilitando o sustento na família. Georg Schneider, sendo ferreiro, professor e maestro de corais na Alemanha, ao chegar ao Brasil deu continuidade às tradições culturais germânicas. Foram encontrados registros documentais – certidões de nascimentos em Picada Verão – que atestam as atividades musicais do imigrante: maestro de corais. Também as histórias de família, repassadas oralmente de geração a geração, dão conta de que Georg, reunido com outros músicos, ensaiava e tocava em festas e encontros. No entanto, a música não chegou a ser a atividade profissional, mas a forma de lazer, recreação e relembrança da vida na terra natal. Transmitida, posteriormente, para as próximas seis gerações que nasceram no Rio Grande do Sul.
Georg Schneider faleceu com apenas 42 anos, no dia 12 de agosto de 1857, em Dois Irmãos. Permaneceu com vida apenas 10 anos no Brasil, sendo os três últimos, acamado. Além de sua esposa Katharina, deixou nove filhos, todos menores de idade – a primogênita tinha 17 anos quando da morte do pai. Jakob Schneider, da primeira geração apresentada neste livro, nascido no Brasil, perdeu o pai com 8 anos de idade.
A Primeira Geração Nascida no Brasil
Jakob Schneider conviveu por poucos anos com o pai. Ao perdê-lo prematuramente, percebe-se que não teve uma infância fácil – teve que dividir com a mãe e os irmãos os desafios de dar continuidade ao trabalho da família, continuando o sonho de uma vida melhor e feliz na nova nação que há uma década seus pais decidiram iniciar. Não sabia ele, ainda criança, que construiria uma sólida história de convivência com a música e com a tradição de seus antepassados, que perduram geração após geração.

Dois anos após a chegada dos imigrantes Schneider no país, ainda na localidade de Picada Verão, em 22 de setembro de 1849, nasceu Jakob Schneider. Casou-se aos 20 anos, em 25 de novembro de 1869, com Susanna Schuh.
Susanna era imigrante, nasceu no distrito de Bad Kreuznach (Rheinland-Pfalz), na Alemanha, filha de Karl Schuh e Susanna Ludwig Schuh. Eles tiveram oito filhos, sendo pela ordem: Georg, Elizabetha, Karl, Friedrich, Amalie, Luísa Katharina, Delfina e Jakob Filho.
Sobre a vida de Jakob, sabe-se que ele prosseguiu a tradição do pai com a música. Também foi agricultor e comerciante. Em registro fotográfico, Jakob se apresenta como apicultor. E na certidão de nascimento de seu filho Friedrich, sua profissão consta como marceneiro. Mesmo dividindo seu tempo com os diferentes ofícios, fez da música o lazer da família e repassou aos filhos o valor da tradição cultural – que, na próxima geração, percorre o Estado e se estabelece em uma região onde mais uma vez se identifica e cria raízes – permanecendo até hoje. Ele é o representante da primeira geração de descendentes da família nascido no Brasil, consequentemente, da primeira geração de Schneider músico nascido no Rio Grande do Sul, que já se propagou por seis gerações.
Jakob faleceu em 30 de janeiro de 1941, aos 91 anos de idade, no município de Dois Irmãos, onde está sepultado juntamente com a esposa Susanna.
A Segunda Geração
Friedrich Schneider, o quarto filho de Jakob e Susanna, nasceu em 1º de outubro de 1878, em Picada Verão, onde permaneceu até o casamento. Ele casou-se com Elisabeth Dahmer no dia 22 de julho de 1899, em Dois Irmãos, com quem teve 12 filhos: Hilda, Meta, Ernst, Olga, Delfina, Emílio, Lídia, Eugênia, Carlito, Alzira, Armindo e Werno. Elisabeth é natural de Picada Café, nascida em 26 de julho de 1882. Após o casamento, o casal foi residir em Picada Café, às margens da BR 116, onde hoje existe um posto de combustíveis. Friedrich Schneider trabalhava como agricultor, marceneiro e músico, afinal, desde os 10 anos de idade aprendera com o pai a tocar instrumentos, cantar e realizar apresentações musicais. Mesmo assim, a principal fonte de renda era a agricultura, e como as terras eram divididas entre toda a família da esposa (sogro e cunhados), e o solo da região era montanhoso e com pedregulhos, Friedrich decidiu partir com a família para outra região do Estado.
“Além de agricultor, marceneiro e músico, ainda enquanto morava em Picada Café, não havia ninguém para arrancar dentes. Em uma viagem para venda de produtos em Porto Alegre, comprou um alicate de dentista, e atendia os próprios filhos e também vizinhos quando não aguentavam mais de dor de dente. Continuou atendendo com seu alicate de dentista em Quinze de Novembro quando alguma extração dentária se fazia necessária. Anestesia na época? Nem pensar…”

No ano em que Friedrich completava suas bodas de prata, (em 1924), aos 46 anos e já com a família constituída, decidiu partir da Colônia Velha rumo à terceira região de colonização do Estado: regiões central e noroeste. Acompanhou-lhe na empreitada o seu irmão mais novo, Jakob Filho, e a respectiva família. O município escolhido foi Cruz Alta, em uma nova colônia que estava sendo povoada no interior: Quinze de Novembro.
“Em Cruz Alta, ofereceram a ele terras de campo planas, mas sem mato, a um preço acessível. Podia comprar mais lotes. Mas não quis: veio a Quinze de Novembro e comprou uma fração menor de terras, coberta de mato com árvores grossas, o que significava que as terras eram boas, fortes e férteis. A maioria dos descendentes alemães preferia as ‘terras de mato”.

A viagem foi feita por meio de carroças com tração animal. A família Schneider instalou-se a três quilômetros da sede da colônia, nas proximidades do Cemitério Evangélico São Jacob. A propriedade era cortada pela estrada geral.
Friedrich deixa sua família em seu novo lar e parte para retirada de sua bagagem, que chegaria de trem em Cruz Alta – distante aproximadamente 70 quilômetros. Mesmo tendo viajado o tempo todo de carroça, Friedrich teve de aguardar o frete junto à estação ferroviária daquele município devido à imprescisão dos horários dos trens.

A partir de Friedrich, ou “Fritz”, como era conhecido pela família e amigos, a história da família pode ser contada com mais detalhes. Seu neto, Haini, conviveu com ele, compartilhou com o avô e o pai muitas histórias, e lembra de muitas passagens importantes que ajudam a contar a história da segunda geração nascida no Brasil. Outras tantas pesquisou junto a seus primos mais velhos.
A vida de Fritz já em Quinze de Novembro teve de ser reconstruída: organização da casa e da propriedade, plantio, adaptação com a cultura local… Mas ao se tratar da cultura, a colônia acolheu os costumes da família Schneider, afinal, já abrigava muitas famílias descendentes alemãs. Logo, fez amizades e pode continuar animando festas e encontros. Durante o dia, trabalhava principalmente como agricultor, e à noite, ou nos dias em que tinha mais tempo, ensinava aos filhos a escala musical, desde os 10 ou 11 anos. Os filhos homens aprendiam a tocar instrumentos e as mulheres cantavam. Fritz tocava trompete e rabecão. Gostava tanto de música, que economizou dinheiro para adquirir um gramofone – instrumento para ouvir discos de música. Funcionava com corda, sendo necessária a movimentação manual de uma manivela. Fritz também fazia a transcrições de músicas em partituras.
A família Schneider, assim como muitos imigrantes e descendentes alemães, eram praticantes da religião Evangélica de Confissão Luterana. Georg seguia essa confissão na Alemanha e seus descendentes optaram por continuar na mesma Igreja. Friedrich, ao chegar em Quinze de Novembro, encontrou uma comunidade evangélica luterana muito atuante, e participou da comunidade, sendo por muitos anos tesoureiro. Também auxiliava no canto de hinos durante os cultos.
A música, tão apreciada e praticada pela família ainda na Colônia Velha, encontrou em Quinze de Novembro parcerias ao longo da vida de Fritz Schneider e de seus descendentes. Músicos de outras famílias, junto com os Schneiders, faziam bandinhas que animavam os eventos sociais da comunidade. Assim como aprendeu com seu pai, Friedrich ensinou os filhos que, desde cedo, já participavam das apresentações.
Friedrich viveu 42 anos em Quinze de Novembro, vindo a falecer em 26 de junho de 1966, aos 88 anos de idade. Está sepultado no cemitério São Jacob, em Quinze de Novembro, juntamente com sua esposa Elizabetha.

A terceira geração
Nascido em 13 de agosto de 1917, nono filho do casal Friedrich e Elisabeth, Carlito Schneider é natural de Bom Jardim, antigo nome do município de Ivoti. Residiu com seus pais em Picada Café até os sete anos de idade, quando veio com a família para Quinze de Novembro.

Conviveu com a música desde muito cedo, e aos 13 anos, começava a se apresentar com a banda da família, com o pai Friedrich e os irmãos Emílio e Armindo. Durante toda a sua vida, foi apaixonado pela música, dizia que “corria música em suas veias”. Iniciou seus filhos, netos e muitas outras pessoas na música. Além de músico, foi compositor, e as três gerações posteriores realizaram seu grande sonho: eternizar as canções da família em discos.

Em Quinze de Novembro, onde residiu durante a vida toda desde os sete anos de idade, casou-se com Rosa Von Grafen, no dia 07 de outubro de 1939. Rosa era natural de Quinze de Novembro, nascida dia 19 de novembro de 1920. Eles tiveram cinco filhos: Itomar, Marlise, Carlos, Frederico Neto e Heinz (mais conhecido por seu apelido ‘Haini’), narrador principal da história de Carlito e Friedrich, e personagem principal da história da família na quarta geração nascida no Brasil.
Carlito foi agricultor, morava no interior, trabalhava na lavoura e tinha alguns animais. Mas nos finais de semana, normalmente saía para animar festas e bailes da região. Durante muitos anos, essa foi sua rotina. No início da década de 50, para poder se dedicar ainda mais à música, Carlito resolveu ir morar na cidade, plantando em menor escala. Os compromissos com a música e a banda da família tomavam cada vez mais tempo, então ele decidiu arrendar suas terras e comprou uma sapataria em sociedade com o irmão Armindo. Faziam consertos, fabricavam chinelos, tamancos, sapatos e botas. Mais tarde adquiriu uma serraria no interior do município, em parceria com o sobrinho Ervino Marx. Alguns anos mais tarde, trouxeram a serraria para a vila. Dessa forma, Carlito teve várias profissões: músico, agricultor, sapateiro, marceneiro, professor de música e professor informal de matemática e leitura. Como professor de música, era muito exigente, principalmente com os próprios filhos. Ensaiava muito e cobrava o domínio dos instrumentos.
Apaixonado pela música, Carlito ensinava e reunia músicos para formar conjuntos. Tinha sua própria bandinha, da qual era maestro. Foi fundador da Banda 25 de Julho, onde era músico e contramestre. Esta banda não tocava em bailes, mas apresentava-se em festas e eventos especiais. Formou, entre outros, o Jazz Pulador, Jazz Caçula, Jazz Quinze de Novembro, Jazz Esperança e Jazz Harmonia, este, com a composição basicamente familiar: Carlito como maestro e trombonista, os filhos Itomar no piston (trompete); Carlos na bateria, Frederico no trombone e Heinz na gaita. O genro, Sady Merg, tocava violino, e o amigo Arnildo Göelzer também tocava gaita. Carlito sentiu falta de um saxofonista na formação do Jazz Harmonia, então comprou um e aprendeu a tocar sozinho. O que ganhavam nas apresentações não era suficiente para sustentar a família com a música, então, as demais profissões nunca eram deixadas de lado. Mas a renda obtida com bailes e festas proporcionava alguns investimentos, como em 1968, quando puderam adquirir o primeiro amplificador, duas caixas de som e dois microfones.

Muitas dificuldades tiveram de ser superadas na história de Carlito com a música. Era essa a atividade que o realizava, no entanto teve sempre de ser dividida entre outras para o sustento de sua família. O deslocamento para as primeiras festas e bailes na região era feito no lombo de cavalos ou burros, ou então carroças para os instrumentos maiores e mais pesados. Carlito dava muita importância a seus instrumentos e os conservava com muito zelo. Quando os eventos eram muito distantes, contratavam camionetes para o deslocamento. A banda da família Schneider ficou tão conhecida que, em 1972, apresentou-se no Paraguai.

O convívio na Igreja Evangélica Luterana também era intenso, e Carlito, além de cantar durante os cultos, atuava no coro de trombones da Igreja.

O maior sonho de Carlito era gravar um disco (LP) com a banda da família. Na época, isso só era possível em São Paulo, um sonho muito difícil não só pelo deslocamento que envolvia, como pelos recursos financeiros que a família não dispunha para arcar com todas as despesas.

Carlito faleceu aos 63 anos de idade, no dia 02 de janeiro de 1980, em Quinze de Novembro. Ele está sepultado no cemitério São Jacob, em Quinze de Novembro, no jazigo onde também jaz sua esposa, Rosa.
A Quarta Geração
Heinz Schneider, conhecido por Haini, é um dos representantes da quarta geração de músicos da família Schneider nascidos no Brasil, personagem no qual centra-se a história da quarta geração. Haini nasceu no dia 14 de março 1949, em Quinze de Novembro. É o mais novo dos cinco filhos de Carlito e Rosa. Cresceu em meio aos ensaios do pai e dos irmãos, ansioso por poder começar logo a tocar algum instrumento. Aos 14 anos, tocou o primeiro baile, como baterista do Jazz Esperança.
A iniciação de Haini como gaiteiro – habilidade que ele mantém avidamente até os dias de hoje, começou meio que “por acaso”. Numa certa ocasião, o gaiteiro da banda de Carlito deixou sua gaita por uma semana na casa da família. Haini aproveitou e ensaiou todos os dias – em uma semana já tocava algumas músicas com acompanhamento. Assim como os demais membros da família e das gerações anteriores, Haini se destacava não somente por gostar de música, mas por dominar com facilidade diferentes instrumentos. Seu pai, empolgado com a habilidade do caçula, mandou-o a Lajeado, na casa do irmão Armindo. Lá, junto com seu primo Anselmo, que também era gaiteiro, Haini ensaiou muito. Carlito foi até lá para ver o progresso do filho, que mereceu uma gaita (acordeon) de 80 baixos, adquirida em Bento Gonçalves.

Haini continuou participando das apresentações da família. Em 1966, aos 17 anos, um marco muito importante em sua vida: a primeira apresentação do Jazz Harmonia, composto basicamente por músicos da família. Haini participou do conjunto por muitos anos.

A música era tão presente na vida de Haini e de sua família, que até a ocasião em que conheceu sua esposa tem tudo a ver com a música. No final de 1969, mais precisamente no mês de novembro, a família Schneider tinha o compromisso de animar o baile de Kerb de Quinze de Novembro, tradicional evento que reunia um grande número de pessoas de toda a região. Segundo Haini, naquela noite ele sentia que encontraria uma namorada, apesar de ser quase “impossível”, afinal teria que tocar gaita o baile todo. Mas já no baile, um amigo gaiteiro se ofereceu para tocar algumas músicas para que Haini pudesse dançar. Uma moça vinda de Linha Duas, acompanhada por um grupo de amigas, chamou a atenção do gaiteiro que a convidou para uma dança. A esperança de que daria certo foi, ao perguntar para a companheira de dança se o baile estava bom, ouvir como resposta: “Agora que está ficando bom”. Três músicas e alguma conversa depois, a banda já chamava Haini, o gaiteiro, de volta para o palco. Mas naquele dia iniciava o namoro.
Heinz casou-se com Edelgard Tauchert no dia 22 de janeiro de 1972, na Igreja Evangélica de Confissão Luterana de Ibirubá. Edel, como é mais conhecida, é filha de Arthur Tauchert e Amanda Kannemberg Tauchert, nascida em 24 de maio de 1954, sendo seus irmãos Eugênio, Armindo e Heinz. Sua família residia em Linha Duas. Após o casamento, Haini e Edel fixaram residência em Quinze de Novembro.
A família de Edelgard também gostava muito de música. A mãe, Amanda, tocava violino e cantava. O pai, Arthur, também tocava violino e gostava de cantar em corais. Mas a família não praticava tanto, até o início de namoro de Edel. Quando Haini ia passear em Linha Duas, trazia a gaita, todos se reuniam, tocavam e cantavam. Edelgard até hoje canta em corais e na Igreja.
O casal teve dois filhos: Volnei e Viviane. Os dois conviveram com a música desde a infância. Viviane dedicou-se principalmente ao canto, e Volnei, além de cantar, foi aprendendo com a família a tocar alguns instrumentos.
Haini, além de iniciar os filhos na música, ensinou muitos músicos de fora da família. Também colaborou nos ensinamentos dos netos e dos sobrinhos. Sua trajetória profissional iniciou com a família, dividindo-se com os ensaios e apresentações do conjunto musical no final de semana. Haini foi também eletricista, comerciante e mecânico de refrigeração.
Haini gravou quatro CD’s, realizando o sonho de seu pai, Carlito. Os trabalhos e projetos musicais da família serão apresentados adiante.
Hoje Heinz e a esposa Edelgard se apresentam em eventos, ele com a gaita, ela cantando. Eles se caracterizam com roupas típicas alemãs e cantam canções na língua dos imigrantes, algumas reproduzidas ou adaptadas do folclore alemão. Outras tantas foram compostas por Haini ou por membros das gerações anteriores da família. O casal trabalha como comerciantes, possuindo um bazar em Quinze de Novembro, anexo à residência da família. Continuam incentivando a música na família e no município.

“Nós continuamos cantando em nossa casa, quase todas as noites. Depois de parar com os bailes e conjuntos, nossas cantorias e apresentações passaram a ter um caráter mais cultural, sendo que nos apresentamos em eventos como casamentos, exposições, festas, escolas, igreja, entre outros. Nesse nosso novo trabalho, onde fazemos um resgate de nossa dupla de namoro, apresentamos músicas variadas, homenageando a música germânica e gaúcha, porém sempre tentando passar a alegria e falando de amor e coisas bonitas.” (Haini e Edel Schneider,em depoimento para o CD ‘Nossa História’).

A quinta geração
os ensinamentos da música para os membros da quinta geração – Volnei e Viviane –, iniciaram desde a tenra infância. Volnei nasceu em 11 de setembro de 1972, e Viviane, em 29 de novembro de 1976.

Aos quatro anos de idade, quando do nascimento da irmã, Volnei ganhou de presente no Natal o seu primeiro instrumento: uma gaita de 8 baixos, da Hering. Com a ajuda do pai Haini e a colaboração do avô Carlito, (que também o ensinou a ler) logo Volnei aprendeu suas primeiras canções: “Cai Cai Balão”, “Parabéns a Você” e “Boi Barroso”. O professor de música Ervino Klein aprofundou os ensinamentos.
O conjunto de seu pai ensaiava na sala que ficava ao lado de seu quarto – Volnei convivia com os ensaios e queria participar sempre. Mesmo sendo muito novo para se apresentar com a banda, era cada vez mais difícil não levá-lo nas festas e bailes. Volnei estreou com a banda da família no 1º Festival do Milho Verde, em Quinze de Novembro.

A família materna também incentivava Volnei. Os avós maternos, Arthur e Amanda Tauchert, e a bisavó Ana Maria Becker Kannemberg, que moravam em Linha Duas, eram destino certo nos finais de semana. E neste período, o avô Arthur o desafiava para que a cada visita aprendesse a tocar uma nova música. Uma criança dominando uma pequena gaita realmente encantava os avós, que o presenteavam com uma moeda para cada nova canção tocada na gaitinha.

O tempo foi passando e, em uma viagem na casa de parentes em Três Coroas, a gaita de oito baixos foi substituída por uma Sonelli verde com 48 baixos. Mais uma forma de incentivar e desafiar Volnei a continuar praticando. Mais tarde, conseguiram comprar a gaita Todeschini de 80 baixos, vermelha, fabricada em tamanho reduzido, que até hoje é a gaita de Volnei.

Além de participar nas apresentações da família, Volnei procurava se envolver em todas as oportunidades que surgiam para se apresentar como músico. A partir da 3ª série participou da Banda Marcial do Colégio Menino Deus.
Na adolescência e juventude, ao final da década de 80, participou dos dois últimos bailes do conjunto Harmonia – do qual participavam membros da família e mais alguns músicos amigos da família. Depois, tocou no conjunto “La Bamba”, da família Diettrich. Fez dupla de barzinho com a irmã Viviane. Profissionalmente, começou trabalhando como azulejista e mecânico de bicicleta, depois como eletricista, até completar sua formação na Faculdade de Direito e trabalhar como advogado.

Em 1990, Volnei iniciou uma dupla com o amigo e compadre Ivan Diettrich (Ivan e Volnei), se apresentando em barzinhos, casamentos, festas e jantares. Os equipamentos de som eram muito simples, e de instrumentos, somente teclado, contrabaixo e ritmo eletrônico. Em meio a muita diversão, a dupla fez sucesso e incentivava a formação de novos músicos, executando em parceria com a Prefeitura Municipal de Quinze de Novembro, várias edições de um festival que reunia pequenos cantores, intitulado “Música é Cultura”.
Entre 1993 e 1994, Ivan e Volnei encerraram a dupla, já que a família de Ivan intencionava formar um conjunto somente com os músicos da família Diettrich, e Volnei além de estar na fase de conclusão do curso de Direito pela Universidade de Cruz Alta, acompanhava a chegada de seus dois filhos.
Como praticamente todas as atividades sociais que participava tinham alguma relação com a música, a ocasião em que conheceu a sua esposa Magali, também foi diretamente influenciada pela música. Em uma roda de violão a convite do casal de amigos em comum, Elemar Sand e Vera Inês Konzen, em Quinze de Novembro, o compartilhar de gostos musicais já despertou o primeiro interesse um pelo outro. Volnei na época tinha como companheiro de música o amigo André Ricardo Ebert, o qual lhe apresentou o repertório de música nativista, MPB e pop rock, estilos diferentes da música alemã que aprendeu desde cedo, em casa com a família. Eram essas músicas (nativista, MPB, pop rock) as quais Magali também gostava, pela influência do círculo social universitário dos anos em que frequentou a Universidade em Santa Maria.
Volnei casou-se em 18 de julho de 1992 com Magali Mazzutti, na Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, no município de Quinze de Novembro. A música do casal – e cantada pelo noivo para a esposa no dia do casamento é “Maluco Beleza”, de Raul Seixas. Além da música inusitada, muitos outros fatos tornaram o casamento uma data inesquecível para a família e para todos os convidados. Uma garoa fina e gelada derrubou a temperatura. A noiva ficou com tanto frio que pediu para fechar a porta da Igreja. Pela primeira vez, se ouviu a Ave Maria (oração católica) ser tocada na Igreja Evangélica de Confissão Luterana de Quinze de Novembro. Na recepção, mais surpresas: faltou luz no salão da festa, em Linha Floresta (Selbach). Os amigos que Volnei esqueceu de convidar, compareceram mesmo assim. A festa foi animada por todos os músicos da família e outros músicos amigos.
Magali Mazutti, filha de Olvides e Ilga, irmã de Marcos e Marcone, nasceu dia 1º de janeiro de 1969, em Espumoso, vindo a residir em Linha Floresta, interior de Selbach/RS. Residiu também em Tapera/RS, Santa Maria/RS e, de 1990 até hoje, mora em Quinze de Novembro. Sua convivência com a música vinha de eventos sociais, intensificada após conhecer Volnei. Como não possui a “vocação” – não canta e não toca nenhum instrumento, costuma brincar que a sua contribuição para a música foi, de um músico, fazer mais dois: Thaís e Thales, filhos do casal. Também incentivou e valorizou os ensinamentos de Volnei para os filhos.

Volnei e seus pais sempre foram incentivadores da música e da cultura local – e expressaram isso através da criação de um grupo cultural e de eventos, assuntos que serão tratados adiante. Atualmente, Volnei trabalha como advogado e investe seu tempo e conhecimento em projetos culturais. Magali é farmacêutico-bioquímica e possui um laboratório de análises clínicas em Quinze de Novembro.
A irmã de Volnei, Viviane, na música, dedicou-se ao canto, participando de apresentações com a família e também, na gravação do primeiro CD da família. Ela casou-se em 11 de setembro de 1999 com Paulo César Rodrigues. O casal tem um filho, William Schneider Rodrigues, nascido em 14 de setembro de 2000 em Ibirubá/RS, cidade em que a família vive atualmente.

A sexta geração
Quase um século e meio após a chegada dos pioneiros Schneider no Brasil, nascia a sexta geração da família no Brasil. Thaís, em 17 de janeiro de 1993; e Thales, pouco mais de um ano depois, em 23 de março de 1994. Com pouca diferença de idade, os irmãos compartilhavam brincadeiras, e foram apresentados desde cedo ao mundo da música. Volnei e Magali ensinaram-lhes ritmos, melodias, canções, instrumentos, danças e cantigas. De tão incentivados que eram pela família, mal aprenderam a falar já estavam cantando. Com três ou quatro anos, estavam presentes nos festivais municipais “Música é Cultura”, cantando e se divertindo no palco, nos intervalos das apresentações.

Quando crianças, Thaís e Thales tinham alguns instrumentos de brinquedo. Haini fabricou uma bateria de brinquedo para o neto. Em algumas apresentações da família, era impossível “segurar” os pequenos, que em posse de seus brinquedos, se juntavam com os músicos e “tocavam” com a família sem parar um instante sequer.
Os irmãos foram iniciados no mundo das artes em geral, além da música, conheceram o teatro, a dança gaúcha, o esporte e o trabalho voluntário. O primo William Schneider Rodrigues, também foi incentivado pela família, seguindo o aprendizado de teclado e gaita.
A brincadeira começou a ficar séria em 2003, quando Thaís com 10 anos, e Thales, com 09, realizaram a primeira apresentação em um grande evento: a Expoquinze, exposição-feira realizada em dezembro, nos anos ímpares, em Quinze de Novembro. Na ocasião, a apresentação da família abriu o show de Osvaldir e Carlos Magrão. Thaís na voz solo e vocais, Thales na bateria e voz, se apresentaram com o pai Volnei, a tia Viviane, o avô Haini, e outros músicos, entre parentes e amigos. A partir dessa primeira apresentação, participaram de todas as edições da Expoquinze.
Em 2004, surgiu a ideia de formar um grupo na família. A proposta era diferente do que os Schneider’s costumavam tocar. As tradições familiares e culturais estavam presentes, mas diferente das bandinhas, Thaís e Thales queriam expressá-la através da MPB, das músicas nativistas, pop rock, numa junção de estilos que agradava ao público jovem. Assim surgiu o trio formado por Volnei, no teclado; Thaís, no vocal; e Thales, na bateria; que começou a se apresentar em festivais. Mais tarde, os irmãos propuseram o nome “The Schneider’s”, valorizando a unidade familiar e o trabalho em conjunto do trio. Apresentaram-se em barzinhos e festivais. Também gravaram um CD e se apresentaram em São Paulo – assuntos que serão tratados com mais detalhes na apresentação da história musical da família.
Hoje, os The Schneider’s dividem projetos e palcos. Os ensaios são na garagem da casa em Quinze de Novembro, no tempo livre, que é bastante reduzido. Durante a semana, Thaís e Thales estão em Passo Fundo/RS, onde ela cursa Direito e ele, Licenciatura em Música, na Universidade de Passo Fundo. Integraram o coral da universidade por 02 anos.
As palavras de Thaís resumem o sentimento de importância que a música tem, em uma família que se une, se integra, se diverte ao som dos instrumentos e dos cantos que todos aprenderam a dominar, geração após geração:
Desde que nascemos, falo no plural, pois me refiro também ao meu irmão, quase gêmeo – só um ano mais novo que eu – convivemos com a música. Aprendemos a cantar quase antes de falar, a decorar as músicas muito antes de aprender a ler.
Os almoços de família sempre tinham shows, apresentações de músicas novas e muita diversão.
Ganhamos todos os instrumentos que existiam, fazíamos um barulho infernal pela casa e gravamos vários “vídeos clipes”, com a vibração da nossa enorme plateia: o pai, e a mãe.
Fomos crescendo, e a música continuava ali, crescendo junto com a gente. Insistimos e fizemos o pai criar uma banda com nós: ‘The Schneider´s’. Competimos no primeiro festival em 2004, próximo do final do mundo, e alcançamos o sempre indesejado último lugar. Não que isso nos fizesse desistir. Não nos abalou. Continuamos sonhando o nosso sonho.
Em 2007, ganhamos uma oportunidade de um grande amigo, e ali passamos a nos apresentar todos os meses. Conhecemos muitas pessoas, fizemos vários amigos, rimos muito, pagamos alguns micos, mas enfim, sempre nos divertimos demais.
Veio mais um festival de música, no mesmo ano, no qual chegamos à final estadual. Não conquistamos, mas chegamos lá.

Veio o final da escola e o vestibular, eu segui outro caminho, mas mesmo assim, sem deixar a música de lado. Meu irmão seguiu na profissão.

Neste meio tempo, surgiu o convite para nos apresentarmos em São Paulo. Encaramos, com medo, mas fomos. E lá se foram quase três anos que nos apresentamos lá, duas vezes por ano. Sem dúvida alguma, foi, e é, uma das experiências mais incríveis. Chegar em uma cidade de 12 milhões de pessoas e alguns lembrarem de nós, das nossas músicas. Sem falar nos grandes amigos que fizemos lá, das grandes conquistas, dos risos, dos ‘choppes’, dos encontros, dos sonhos.
A banda segue, em ritmo mais leve, mas a música jamais sairá das nossas vidas. E ela nos ensinou a aproveitar a família, a honrar os valores acima de tudo. A música mostrou que uma família unida desbanca qualquer situação ruim, momento difícil, qualquer tempestade. A música nos deu e nos dá, as melhores oportunidades de ficar junto da família, de aproveitar cada momento como se fosse o último, e de sonhar. Sonhar!”

2. O GRUPO CULTURAL SOM LEGAL E OS PROJETOS MUSICAIS DA FAMÍLIA
O Grupo Cultural Som Legal é uma associação civil sem fins lucrativos, constituída no dia 22 de agosto de 1997. O nome foi proposto por Magali, inspirada em dois programas de televisão da época: Som Brasil e Brasil Legal
A Associação foi criada com o objetivo de promover e contribuir para o desenvolvimento da cultura, no campo da música, teatro, dança e demais manifestações artísticas de maneira genérica, bem como, qualquer atividade relacionada à cultura. Desse modo, o grupo Som Legal serviu de personalidade jurídica para dar corpo aos projetos musicais pensados pela família mas executados com o objetivo de propagar a cultura germânica em sintonia com a cultura gaúcha e brasileira, para milhares de pessoas. O primeiro de muitos, foi a gravação do CD Schneider’s Fest.
Histórias e Proezas dos Schneider’s na gravação do primeiro CD da família: Schneider’s Fest
Haini, por muitas e muitas vezes, ouviu seu pai, Carlito, falando do maior sonho que teve durante a vida: a gravação de um LP. Na época, a gravação teria que ser feita em São Paulo, e a família não tinha condições de reunir todos os músicos e viajar tão longe por um longo período, além do mais, os custos de produção e prensagem dos discos seriam muito elevados. Então, Carlito faleceu sem conseguir realizar esse grande sonho.
Mas o mais importante foi que Carlito conseguiu despertar nos filhos e netos a mesma paixão pela música. Tanto que, quando faleceu, seu filho Haini tomou uma decisão: “meu pai não conseguiu, mas vou lutar então pra que eu consiga realizar esse grande sonho dele”. Começou a trabalhar no repertório, juntar as economias, e quando estava tudo quase pronto, algum problema impedia de levar o projeto adiante: geralmente algum músico desistia do conjunto e a formação ficava desfalcada. Segundo Haini, estava três vezes com praticamente tudo acertado para gravar o LP, algum imprevisto acontecia e todo o trabalho ia por água abaixo. Dessa forma, o projeto de gravação do disco foi ficando de lado, os músicos da família se reuniam com menos frequência, mas continuavam a atender aos pedidos para animar algum casamento, festas ou baile próximo. Assim, em uma manhã no ano de 1997, enquanto tomava chimarrão com sua esposa, Haini disse que infelizmente tinha desistido da ideia de gravar um LP, já que em tantas tentativas não havia dado certo. Alguns minutos depois, por coincidência, ironia do destino, ou quem sabe, transmissão de pensamentos, Volnei resolveu passar na casa dos pais próximo ao meio-dia, antes de retornar para casa após a manhã de trabalho. E lá chegou com uma ideia: gravar um CD com os músicos e as canções da família.
Desta vez, o projeto deu certo. O sonho de Carlito foi realizado em um formato tecnológico mais atual, já que para o LP não havia mais espaço no mercado. O trabalho, intitulado Schneider’s Fest, foi gravado em Blumenau, no estado de Santa Catarina. Aprenderam na prática e “na marra” o processo de gravação, muito mais complexo do que imaginavam. Ficaram hospedados num alojamento improvisado, atrás do estúdio, e como não havia a estrutura necessária para conservar alimentos, as refeições da família constituíam-se basicamente de “pão com banana”. No término de gravação, antes de voltar para casa, a mistura de “nervosismo com emoção” fez Haini passar mal, assustando a todos – por sorte, não passava de uma má-digestão.
As lembranças da gravação permanecem com carinho na lembrança da família. Participaram do CD Schneider’s Fest os seguintes músicos: Heinz Tauchert (irmão de Edelgard), Marcos Tauchert (filho de Heinz), Haini Schneider, Viviane Schneider Rodrigues, Volnei Schneider e Itomar Schneider (o ‘Tuba’, irmão mais velho de Haini).
O produto foi aceito pela gravadora “Faixa Nobre”, que também usou uma das músicas (Kufstein Polka) na coletânea “As Melhores Bandas Orquestradas”, da série “O Som dos Bailes”, que contava também com músicas de outras bandas expressivas no cenário musical gaúcho e catarinense: Os Montanari, Banda do Caneco, Orquestra Clarins de Prata, Musical Encontro, Orquestra La Montanara, entre outros.

O CD foi lançado em dezembro de 1997. Por empecilho técnico, não chegou na semana da Expoquinze (evento de maior relevância no município de Quinze de Novembro, realizado na primeira semana de dezembro, nos anos ímpares). Mas, a partir do seu lançamento, o trabalho serviu de motivação para muitos grupos da região – tanto para que outras bandas partissem na busca da gravação de seus trabalhos, como para a aceitação da música no estilo “bandinha” nas rádios FM. Assim, como o CD possuía estilos variados – bandinhas, músicas lentas, gauchesca, – foi recebido pelas rádios AM e FM da região.
Os Schneiders, através da Banda Som Legal, trouxeram para a região do Alto Jacuí o primeiro CD. O grupo, além de realizar um antigo sonho de família, abriu as portas para um grande crescimento e reconhecimento músico-cultural na região, que até hoje possui uma grande variedade de conjuntos contemplando um vasto repertório musical – mas sem deixar de lado o estilo ‘bandinha’ que até hoje faz sucesso em bailes tradicionais.

Mais um passo na divulgação da cultura alemã: a Volks Fest

Após oito meses do lançamento do CD Schneider´s Fest, o Grupo cultural Som Legal realizava a primeira edição da Volks Fest – Evento de Rua realizado com recursos oriundos da Lei de Incentivo à Cultura do estado do Rio Grande do Sul. De 07 a 16 de agosto de 1998, as ruas centrais de Quinze de Novembro abriram espaço para stands com comida e bebida típicas da cultura alemã, música e apresentações artístico-culturais ao vivo, comércio local, em um ambiente caracterizado pelas cores e motivos germânicos, com entrada franca para o público. A Volks Fest foi um evento multi-cultural Brasil-Alemanha em Quinze de Novembro/RS, que atraiu inclusive a visita do Cônsul da Alemanha, além de um grande público local e regional. Várias entidades, bem como, a Prefeitura Municipal, engajaram-se para a realização do evento.

O evento também possibilitou uma oportunidade ímpar para todos os conjuntos musicais participantes, que foram reunidos para a gravação de um CD, em Santa Rosa/RS. Assim, após realizarem o próprio sonho de imortalizar as canções em um disco, a família Schneider, com o grupo Som Legal, trabalhou para que mais bandas de Quinze de Novembro, RS, tivessem a mesma oportunidade. Muitos grupos – que já não tem a mesma formação ou que foram extintos, só possuem uma música gravada pois tiveram a oportunidade em conjunto com o evento Volks Fest.
Os conjuntos musicais participantes foram: Musical Céu Azul, Orquestra Harmonia, Banda Reprise, Banda Nova Mensagem, Banda Gente Nossa, Musical Renovasom e Banda Som Legal, todos de Quinze de Novembro, RS, contando ainda com o Musical Encontro de Feliz, RS. O CD foi oficialmente lançado no ano seguinte, por ocasião da Volks Fest 1999.

A música da família ganha repercussão nacional: Coleção Revista Caras: “A Música do Mundo”
Segundo Volnei, apesar de todo o trabalho e dedicação que a família desenvolveu a partir da música e do resgate da cultura alemã, algumas oportunidades apareceram nos momentos em que menos se esperava.
Em meados de 2004, Volnei se dedicava à música com os filhos, o que somado à rotina do trabalho, fazia sobrar pouco tempo para os trabalhos culturais com o Grupo Som Legal. Mesmo assim, o grupo mantinha um cadastro no site http://www.brasilalemanha.com.br, através do qual se mantinham atualizados sobre as novidades culturais envolvendo não só a música, mas a cultura de modo geral e seu intercâmbio entre os dois países.
A partir deste contato, o grupo recebeu, por intermédio de Volnei, um e-mail solicitando materiais para uma produção que seria encartada na Revista Caras, com circulação nacional. O projeto intitulava-se “A Música do Mundo”, com a distribuição de 26 CD’s onde cada disco conteria músicas típicas de um país ou região do mundo. A produção de toda a coleção foi feita pelo renomado músico Corciolli, convidado pela Editora Abril, através da Gravadora Azul Music.
Ao ver a amplitude e repercussão esperada pelo projeto, Volnei não respondeu o e-mail. Seria um projeto muito abrangente a as chances de ser escolhido entre tantas bandas, mínimas. Mas os produtores insistiram no trabalho da família e escreveram novamente, reforçando que queriam o material. Às vésperas do natal de 2004, Volnei separou o CD da família e, junto com o endereço repassado, deixou a postagem no correio aos cuidados de Haini. Chegando na agência dos Correios de Quinze de Novembro, Haini julgou caro o envio pelo serviço de Sedex e encaminhou os materiais a São Paulo via correspondência comum. Todos esqueceram do assunto até que novamente um número de São Paulo liga para o telefone de Volnei – era CORCIOLLI, dono da gravadora Azul Music dizendo que o trabalho havia sido aprovado, e pedindo a autorização do uso das músicas para a coleção, as quais foram cedidas gratuitamente.
Alguns meses depois, os CD’s da coleção “A Música do Mundo” chegavam às bancas, junto com a revista Caras. No Rio Grande do Sul, o primeiro trabalho com músicas da família Schneider foi “A Música do Brasil”, com a canção típica gauchesca, “Leva a Gaita”. O último CD da coleção, entregue no Rio Grande do Sul, foi “A música da Alemanha” onde o Grupo Som Legal emplacou cinco músicas: Kufstein Polka, Könnem diese Augen lügen, Furacão, Vila Rica e Regresso. Com o material em mãos, não restavam mais dúvidas: o trabalho da família estava, a partir daquele momento, divulgado no país inteiro. E depois da participação nestes trabalhos, as músicas foram utilizadas até como trilha sonora em programas de televisão – e o telefone não parava com as ligações dos amigos para sintonizar determinado canal onde havia uma reportagem com a música da família. A oportunidade foi um importante passo na história do grupo cultural Som Legal, além de ser mais um incentivo para a continuidade de sua trajetória musical.

“Toca Gaiteiro” e “Nossa História”: os trabalhos mais recentes do Grupo Cultural Som Legal
Heinz e Edelgard Schneider já realizaram muitos objetivos de suas vidas, tanto no cenário profissional como no pessoal. Os filhos, com a família constituída, os netos crescendo e convivendo com a música. A música da família Schneider, divulgada para os amigos e para o Brasil inteiro. Mesmo assim, nunca pensaram em parar. Recuperando a dupla musical dos tempos de namoro, o casal participa de eventos beneficentes, levando a música e a cultura alemã para todas as gerações. Vestidos a caráter, com muita alegria e motivação, Haini e Edel continuam propagando a cultura e a música alemã por onde se apresentam. Tanto que, desde 2011, produziram mais dois CD’s.
“Toca Gaiteiro” é uma homenagem aos 46 anos de música de Haini. Apresentado por Haini Schneider e Banda Som Legal, para este disco foram recuperadas canções de diferentes épocas. Algumas reviveram dos livros de partituras de Carlito, que embora em vida não tenha realizado seu sonho de gravá-las, hoje algumas de suas belas canções já estão imortalizadas nos CD’s da família. Outras canções são do tempo de juventude de Haini – inspiradas pelo namoro com Edelgard ou até mesmo em algum fato cotidiano. O CD é composto por 17 faixas, com mais duas faixas bônus. Participam da produção os músicos Haini Scheider (acordeon, escaleta, teclados, sopros e voz); Edelgard Schneider (voz); Thales Mazutti Schneider (bateria); Thaís Mazutti Schneider (violão); Volnei Schneider (teclados, baixo e voz) e o músico que também faz parte da quinta geração da família Leandro Ruppenthal (trombone e trompete nas canções 02, 12 e 14). O CD foi lançado em março de 2011.
“Nossa História” foi lançado em abril de 2013. A inspiração para mais um trabalho surgiu de várias frentes. O casal passou a realizar mais apresentações juntos, resgatando a dupla que possuíam nos tempos de namoro. A família (filhos e netos) considerou chamar a dupla de Haini e Edel Schneider – forma como os conhecidos, amigos e familiares também já chamavam o casal. Desta forma eles apresentam o CD “Nossa História”. Neste trabalho, também há diversas interpretações de Edel cantando a primeira voz, com o acompanhamento de Haini. Desta forma, além da família de Edel – que também possui uma história de convivência com a música – sentir-se valorizada, o CD também valoriza as mulheres musicistas, afinal nas gerações anteriores – por motivos culturais da época –, os ensinamentos musicais eram repassados principalmente aos homens. Também haviam pedidos, por parte das pessoas que acompanham o trabalho do grupo cultural Som Legal, por mais músicas interpretadas em alemão. Além disso, foi resgatada uma canção composta pelo Jakob Schneider, além de músicas cantadas por Friedrich já em Quinze de Novembro, RS. O CD “Nossa História”, de Haini e Edel Schneider, possui 16 faixas.
O GRUPO “THE SCHNEIDER’S”
O nome escolhido por Thales e Thaís para o trio recém-lançado em parceria com o pai, Volnei, é simples e completo. Talvez não soubessem eles, no início da adolescência, quando iniciaram as apresentações oficiais em família, que o nome revelaria o que hoje seriam os The Schneider’s.
Simples e completos. O nome “The Schneider’s”, em sua singeleza e força, revela o que o trio transmite em todas as suas apresentações. Eles são humildes: não exigem superproduções ou equipamentos sofisticados. Podem se apresentar em qualquer local: seja na garagem de casa, ou em uma roda de amigos igualmente apaixonados por música. Se for preciso encarar um palco, assistidos por milhares de pessoas? Não tem problema. O trio “manda ver”. São simples também em seu repertório: trabalham com canções complexas, mas também embalam músicas que “qualquer mortal” pode cantar sem muita dificuldade. Música popular brasileira, pop rock e canções nativistas são as preferidas.
The Schneider’s pode ser chamado de um trio completo. Eles respiram música. Dão o melhor de si, ocupam parte do tempo livre pra ensaiar, passam por longas viagens para se apresentar, abrem mão de outros compromissos, pois a música e a família estão em primeiro lugar. Seguidos de perto pela vida profissional e os estudos também. Eles transmitem em suas canções e apresentações, os valores que a música tem transmitido geração após geração: respeito, amor, amizade, simplicidade, família.
Thaís Mazutti Schneider e Thales Mazutti Schneider iniciaram cedo na música. Na verdade, desde bebês já acompanhavam a família em apresentações quando necessário, e cresceram sendo incentivados pelos pais e familiares. Os primeiros brinquedos eram instrumentos musicais. Quando possível, as crianças acompanhavam a família em apresentações com seus instrumentos de brinquedos e representavam estar cantando e tocando junto com a banda.
No entanto, a música deixou de ser brincadeira enquanto Thales e Thaís ainda eram crianças: a primeira apresentação pública com a banda da família foi quando Thaís tinha 10 anos, e Thales, 09, na Expoquinze 2003. Cumprido o primeiro desafio, no ano seguinte, em novembro de 2004, a ideia de fazer um grupo na família fica mais forte. Volnei – no teclado, Thaís no vocal e Thales, na bateria, se inscrevem para um festival de Música Popular, denominado CRICAP, na cidade de Doutor Mauricio Cardoso. A canção interpretada foi “Malandragem”, de Cazuza e Frejat, consagrada por Cássia Eller. Dos 24 participantes, acabaram ficando em último lugar. Ao contrário do que possa parecer pelo resultado, o festival foi um estímulo para os jovens, que ingressando na adolescência já trocavam compromissos típicos das idades – como Thales que deixou de disputar a final de um campeonato de futsal no qual era goleiro titular de sua equipe para participar do festival. Nesta primeira apresentação como um trio da família, eles usaram o nome “Schneider’s”.
A família continuou ensaiando, amadurecendo, delineando os estilos musicais. Até que, em abril de 2007, fizeram o lançamento oficial do trio “The Schneider’s”. As primeiras oportunidades de apresentação foram no Restaurante Candeeiro, em Quinze de Novembro, de propriedade de “Seu Gomes”, e também no Restaurante Mania´s, na cidade vizinha de Ibirubá, RS, de propriedade de Rubens Francisco Lauxen, este que se tornou um grande amigo da família. Familiares, amigos e clientes em geral destes estabelecimentos acompanharam o início do trio na música.
Ainda em 2007, os The Schneider’s se inscreveram no festival “SESI Descobrindo Talentos”, que teria três etapas classificatórias (local, regional e estadual) e era uma oportunidade para músicos em geral que quisessem mostrar seu trabalho. Já era o segundo ano que a família tentava participar – em 2006, Thaís teve uma gripe tão forte que a rouquidão a impedia de cantar qualquer música.
Na fase local, realizada em Passo Fundo, RS, conquistaram o segundo lugar na categoria comunidade. Desse modo, se classificaram para a segunda etapa, a regional, mais uma vez realizada em Passo Fundo. Num dia chuvoso de temporal, a apresentação aconteceu após os teclados de Volnei estragarem devido a uma conexão errada na rede elétrica. Aos gritos do público de “empresta os teclados” e após a montagem do novo equipamento, Thales e Thaís descarregaram toda a tensão na música, e o nervosismo se tornou energia. A música escolhida, “Chuva”, de autoria da família, tinha tudo a ver com o dia. A “raiva” por pensar que a apresentação daria errado fez Thaís soltar a voz e Thales arrasar na bateria de um jeito singular, numa pulsação que resultou na melhor apresentação deles. Resultado: o primeiro lugar no concurso e uma vaga na etapa estadual.
A terceira e última etapa do Sesi Descobrindo Talentos de 2007 foi em Tramandaí, RS. Na oportunidade, foi gravado um CD com todas as bandas finalistas – a primeira gravação oficial do grupo The Schneider’s. O nervosismo e a pressão de estar numa final de um concurso estadual e gravando a primeira música em um disco fez com que o resultado não fosse tão bom quanto o da etapa regional. Mas o aprendizado e as lições da participação em um concurso de nível estadual foram muito importantes – bem como a visibilidade daí advinda, inspirando reportagens em dois dos programas televisivos de maior audiência gaúcha: Bom Dia Rio Grande, com transmissão para todo o Estado; e Jornal do Almoço, nas sucursais de Cruz Alta e Passo Fundo.
O depoimento de Thales conta um pouco mais dessa fase dos The Schneider’s, pautada pelo festival “SESI Descobrindo Talentos”:
“Novembro de 2007, Festival SESI Descobrindo Talentos. Após passar pela fase municipal, alcançando um histórico segundo lugar, The Schneider’s volta a Passo Fundo, para disputar a fase regional. Abaixo de chuva, quase um dilúvio, a banda se apresentaria, justamente com a música ‘Chuva’. Talvez seria loucura acreditar em uma crença com essa combinação, podia não ser nada de mais, apenas uma mera coincidência. Porém, uma sequência de coincidências estariam por acontecer naquela noite de sábado chuvoso.
Sete concorrentes já haviam cantado suas músicas, seria então a nossa vez. Foi enquanto montávamos os instrumentos, e regulávamos tudo, que o apresentador Marcos Peralta emocionou a mim e a todos, pelo menos da nossa família, a família Schneider: ‘No último SESI Descobrindo Talentos (etapa municipal), estávamos aqui ouvindo as bandas que iriam se classificar para a noite de hoje, veio uma linda menina de olhos azuis, e olhei pro lado tinha um garoto bonito de olhos azuis, e lá estava outro, aquele era maior, também de olhos azuis, e tinha mais uma moça vibrando na arquibancada também, e a gente foi descobrir que era uma família’.
Realmente, a escrita não traz toda a emoção de uma fala, talvez não se entenda realmente que isso tenha me marcado. Pode ter sido a maneira com que ele anunciava estas palavras, um tanto emocionado, mas extremamente feliz de ver que uma família se uniu para fazer música. E foi nas suas palavras seguintes que um fato estranho acontece, mas que de certa forma nos fez tirar forças de onde nem havia, e alcançar um objetivo antes não sonhado.
A família Schneider, os The Schneider’s, de Quinze de Novembro, com a música Chuva’. Me arrepia lembrar. Neste exato instante, a voltagem dos teclados é ligada errada e começa sair uma fumaça cinzenta, um cheiro estranho. Na hora, não sabíamos certo o que era, quando percebemos que os teclados haviam queimado. Ora, justo os teclados. Nosso instrumento principal, pois com ele Volnei tocava baixo e teclado. Não havia mais nada. Sem teclado, sem baixo, sem música. Volnei em um estado de nervosismo além da conta, Thaís esbravejava, xingava os mesários sem dó. Thales, enquanto isso, sentado à bateria, parecia estar desligado do mundo. Estava calmo, não falava, não respirava.
Pronto, fim de festival. O que fazer? Foi quando alguém surgiu com a ideia de pedirmos para nossos até então ‘concorrentes’, dois teclados emprestados. Thaís corre ao microfone e em questão de segundos aparecerem dois teclados no palco. Não, isso não estava acontecendo. Concorrentes ajudando outros concorrentes. Mereceu salva de palmas e tudo mais. Por fim, conseguimos tocar a nossa música. Tocar não, fazer um show, em apenas 5 ou 6 minutos de música. O nervosismo todo se transformou em um desempenho tirado de dentro do peito e jogado pra fora, como se saíssemos de uma guerra. Claro, tocamos muito mais rápido do que o normal, erramos, mas, mostramos nossa cara, nosso sentimento naquela música. E foi o que prevaleceu. Voltamos para Quinze de Novembro com o troféu de Primeiro Lugar de baixo do braço. Com a boca lá na orelha, o coração batendo a mil, e a certeza de que desistir não é uma palavra do dicionário da família Schneider.”
Após a experiência com os festivais, as apresentações com a família continuavam em Quinze de Novembro e na região. Em uma fase importante – e difícil – da adolescência: término de ensino médio, hora de decidir para que curso prestar vestibular, as pressões dos diversos concursos vestibulares… os The Schneider’s gravaram o primeiro CD: Marco Zero, lançado em agosto de 2010.
As doze músicas do disco surgiram de crônicas. Textos inspirados em distintos fatos da vida que, por volta do ano 2004, acabavam por se transformar em diversas redações. Com o tempo, foram criadas melodias, e todos os integrantes colaboraram com algum arranjo ou detalhe nas canções. Após meses de gravação e com o trabalho quase pronto, ao fazer um espaço na mesa de som para gravar a bateria de Thales, única parte que faltava, Volnei acaba deletando todas as músicas gravadas. Preocupados com Haini, que era um dos mais ansiosos por conferir o CD, eles disseram que estavam fazendo uns ajustes nas músicas, e desta forma atrasariam um pouco a finalização do disco. O episódio marcou a produção de mais uma canção: Marco Zero, que inclusive acabou dando nome ao CD.
O lançamento do primeiro CD dos The Schneider’s foi em um evento no Bugatti Pub, em 20 de agosto de 2010, na cidade de Ibirubá, RS. Foram distribuídos convites a familiares e amigos para participar do evento. O trabalho de divulgação foi feito pelos próprios integrantes.

O segundo trabalho do grupo é o CD que acompanha este livro no encarte, com canções compostas pelos integrantes, muitas delas especialmente para este projeto. O título do CD oferece uma continuidade ao primeiro disco: de “Marco Zero” para “Seguindo o Caminho”, Thaís e Thales demonstram o desejo de dar continuidade à tradição que chegou até eles através de tantos caminhos e gerações.
A música ajuda com que a família permaneça unida. As experiências e a unidade familiar são essenciais, o fato de dividirem a mesma paixão provoca algumas discussões e brigas, mas, principalmente, momentos de união, parceria, companheirismo e ajuda mútua. Afinal, todos precisam de todos, todos querem fazer música em família. The Schneider’s são plural, vocação, entusiasmo e realização.
4. O INTERCÂMBIO MÚSICO-CULTURAL NO BAIRRO BROOKLIN: SÃO PAULO/SP
Não é preciso muito tempo de conversa com algum dos membros da família Schneider para compreender a paixão e a dedicação deles pela música, de modo especial pela música feita em família. Ao lançar uma chance para que eles divulguem o trabalho e levem uma mensagem positiva para mais pessoas, em diferentes regiões, não é preciso convencê-los: havendo condições para tal, eles enfrentam os quilômetros necessários para as apresentações.
Volnei também ressalta que muitas das oportunidades que vieram a dar projeção ao trabalho da família surgiram em momentos distantes daqueles em que o grupo buscava por espaços nos cenários musicais locais ou mais abrangentes.
Uma dessas oportunidades veio após uma apresentação dos The Schneider’s no Bar Opinião, em Porto Alegre, no dia 12 de setembro de 2010. O trio foi até a capital para participar de um festival de bandas – a maioria com um estilo musical bem diferenciado.
. Na volta do festival, mais um e-mail desconhecido na caixa de entrada de Volnei, com o seguinte texto enviado por Luiz Delfino Cardia: “Organizamos dois eventos grandes em São Paulo. Mande material”. Assim, iniciaram os contatos entre o Grupo Cultural Som Legal através do trio The Schneider´s, e a AEMB – Associação dos Empreendedores e Moradores do Brooklin, importante bairro de São Paulo, SP, colonizado por alemães.
Os dois eventos organizados pela AEMB são grandes promoções que atraem milhares de visitantes todos os anos. A Maifest e a Brooklin Fest, (em outubro), valorizam a cultura local, resultante principalmente dos traços da descendência alemã, mas também da miscigenação de etnias que os conferem o título de “Eventos Multiculturais” de São Paulo. Nos eventos, há espaço para diversas manifestações artístico-culturais. O acesso à programação é gratuito, e os visitantes dispõem de inúmeras atrações no quadrilátero das Ruas Joaquim Nabuco, Barão do Triunfo, Princesa Isabel e Bernardino de Campos: apresentações musicais, culinária típica, dança, folclore, entre outras atrações. Os eventos também são espaço para a consolidação de parcerias e negócios.
Pouco mais de um mês após o contato inicial, com muita coragem, com o incentivo dos amigos e familiares, somado ao apoio dos organizadores do evento que posteriormente se tornaram grandes amigos, Volnei, Thaís, Thales e Magali partiram rumo a Brooklin Fest 2010. Mas o caminho que os levou até São Paulo não foi fácil. Uma longa viagem que resultaria em custos de deslocamento, passagens de avião, estadia: como fazer? A estratégia foi buscar patrocínio na forma da venda de CD’s do trio nas empresas, que os distribuíam aos clientes gratuitamente. Foram bem recebidos por empresários locais e regionais e, desta forma, conseguiram bancar a viagem.
O grupo The Schneider’s, juntamente com a mãe, esposa e apoiadora Magali, participaram de três edições da Brooklin Fest, evento realizado anualmente no mês de outubro – nos anos de 2010, 2011 e 201 ; e participaram também de duas edições da Maifest – evento semelhante, que é realizado no mês de maio – em 2011 e 2012.
Além de suas apresentações nos palcos dos eventos multiculturais de São Paulo, como são conhecidos o Brooklin Fest e o Maifest, a família Schneider organizou oportunidades para importantes contatos entre gaúchos e paulistas. Haini e Edelgard Schneider também participaram deste importante momento cultural: no Brooklin Fest, edições de 2011 e 2012.
A família também fez importantes contatos que resultaram na ida de grupos culturais da região do Alto Jacuí, RS, bem como, de lideranças de Quinze de Novembro e de outras cidades da região, que estabeleceram importantes contatos e parcerias com instituições e autoridades públicas, entidades e lideranças culturais, educacionais e empresariais paulistanas, dentro e fora dos eventos.
Além obviamente do Protocolo de Intenções selado com a própria AEMB, destacamos com especial ênfase, a parceria instituída com o Colégio Benjamin Constant – Deutsche Schule zu Vila Mariana – de São Paulo, patrocinador da tradução juramentada do livro, cuja história iniciou em 06 de janeiro de 1901, e que desde 1992 integra o Programa de Escolas Associadas à Unesco com o objetivo de expandir a cooperação com as escolas para fortalecer o ensino de alemão como língua estrangeira. Ambas as instituições são fiéis apoiadoras institucionais dos projetos desenvolvidos pela Família Schneider através do Grupo Cultural Som Legal.

A participação da família Schneider nos eventos do Bairro Brooklin teve por objetivo a troca de experiências e conhecimentos sobre a organização de eventos culturais, conhecer como os costumes germânicos se propagam e se mantêm na cidade, além de promover um intercâmbio músico-cultural entre as regiões Sul e Sudeste. Eles também puderam divulgar o nome da família e do município de Quinze de Novembro, que constavam na programação oficial dos eventos, e se apresentaram em diversos palcos dispostos pelos eventos.
E se Volnei, Thaís e Thales já chamavam a atenção dos paulistas nas apresentações, com seus traços característicos da etnia alemã e com a música nativista e brasileira, num contexto de família; Haini e Edel surpreendiam a todos com suas roupas típicas alemãs e as músicas típicas, muitas delas cantadas em alemão. Centenas de fotos foram tiradas pelo público encantado com a família.
Foi no Brooklin que Volnei e a família conheceram a pessoa responsável por divulgar o trabalho do Grupo Cultural Som Legal para todo o Brasil, através da revista Caras. O renomado produtor e compositor Corciolli foi quem se apresentou ao Volnei: “Eu sou o cara que te colocou na Caras”. Toda a família ficou eufórica e nervosa por não tê-lo conhecido, afinal ele estava em meio à multidão, acompanhado de sua esposa e vestido de forma simples. Após uma conversa de amigos, o casal ofereceu a casa para estadia da família para novas vindas a São Paulo.
O apoio dos amigos – primeiramente os do Rio Grande do Sul, que incentivaram a família a participar do evento, depois os novos amigos de São Paulo, que apoiaram novas vindas foi fundamental para tornar o intercâmbio Rio Grande do Sul / São Paulo tão importante para a família Schneider. Hoje, todos mantém contato com os amigos paulistas: Luiz Delfino Cardia, o casal Ademar Távora e Marina Távora, o casal Pietro Iaconelli e Ana Délia Iaconelli, os irmãos Alessandra Mayra Ayde e Elias Ayde, Francisco Alvarez Neto, Douglas Iglesias, o nigeriano Niyi Fotte, Elisa Carvalho, Patrícia Satto, Stefan Graf von Galen, Everton Augustin, Carlos Cezar Maravilha, Cauê Andrade, Alexandre Olivares, Ronaldo Honda, os colegas músicos, os técnicos de som e luz, os assistentes de palco, entre outros. A família pretende retornar para mais participações nos eventos promovidos pela AEMB, pois segundo Magali: “Fomos tão bem recebidos que permanece a amizade com todo mundo. Muitas pessoas lembram da gente a cada momento que retornamos, e isso vai desde o porteiro do hotel, passando pelos taxistas, os garçons dos restaurantes, até muitos moradores locais do bairro Brooklin”.

5. OS GAÚCHO-ALEMÃES EM QUINZE DE NOVEMBRO
O município de Quinze de Novembro tem um lugar importante na história da família Schneider. Quando ainda era distrito de Cruz Alta/RS, em 1924, Quinze de Novembro recebeu a família do segundo músico Schneider nascido no Brasil, Friedrich, já com seu filho Carlito. Eles se adaptaram bem na nova morada. Na época, Quinze de Novembro já contava com um número considerável de imigrantes ou descendentes alemães que mantinham vivos os costumes propagados também pela família Schneider, como a música e a religião.
Como já possuía alguns conjuntos, bem como um povo que gostava de música, em Quinze de Novembro a família continuou com a atividade preferida. Foram acolhidos pela comunidade local (hoje, Quinze de Novembro é composta por aproximadamente 70% de descendentes alemães) e também pela Igreja – a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil – IELCB. Os membros da família sempre participaram das atividades da paróquia, tanto em trabalhos administrativos como em apresentações musicais. Essa identificação cultural entre os membros da comunidade reflete até hoje: Quinze de Novembro é o município do Brasil com maior número de luteranos (80,37%).

Quinze de Novembro foi berço de inúmeros conjuntos musicais, e também já sediou grupos folclóricos alemães e importantes eventos culturais com boa repercussão, a exemplo da Volks Fest, promovida pelo Grupo Cultural Som Legal e seus apoiadores. As tradições germânicas são cultivadas através de eventos típicos, e incentivadas através de manifestações musicais, dentre elas, a Banda Municipal 25 de Julho, da qual Carlito Schneider foi um dos fundadores e que permanece até hoje realizando apresentações orquestradas em eventos municipais e regionais.
Em Quinze de Novembro, a família participa de atividades voluntárias, principalmente em benefício da Associação Hospital. Além de continuar propagando a música e a cultura germânica geração após geração, também fixou as raízes gaúchas, levando para todo e qualquer lugar, as bandeiras de Quinze de Novembro e do Rio Grande do Sul, bem como, o amor e o respeito por sua terra e por sua origem. Começa ainda, a desenvolver um trabalho de desenvolvimento social através da cultura, iniciando-se pelo ensino da música, com projeções a voltar-se também, ao ensino de línguas estrangeiras e de noções básicas de cidadania na área das Ciências Jurídicas e Sociais.

4. ONTEM, HOJE, AMANHÃ, EM BUSCA DO “PARA SEMPRE”: O COMPROMISSO DA FAMÍLIA COM A MÚSICA E A CULTURA
Todas as gerações da família, cada uma a sua época, empregaram distintos elementos da musicalidade local em suas canções. Os imigrantes certamente conservaram o que conheciam do país de origem, ensinando aos seus primeiros filhos nascidos no Brasil. Estes, por sua vez, foram se apropriando das influências locais e culturais dos imigrantes e seus respectivos descendentes de diferentes nacionalidades, e a música vai se tornando cada vez mais rica, e impossível de ser enquadrada em um único estilo. Tanto que no primeiro CD da família foram gravadas músicas de inspiração germânica, gauchesca, bandinhas e canções mais românticas.
Os grupos musicais da família resgatam elementos típicos da cultura germânica e local (gauchesca), e também souberam adaptar seu repertório ao momento histórico vivido e às preferências de seus integrantes. Até a quinta geração, os grupos formados pela família animavam bailes e festas, com uma formação maior e um repertório que contemplava músicas dançantes. Além das “bandinhas”, os músicos da família também participaram de corais e orquestras cujas apresentações ocorriam em eventos culturais.
Na quinta para a sexta geração de músicos nascidos no Brasil, o momento histórico-social é diferente, e os músicos da sexta geração também tiveram sua iniciação musical entre a infância e a adolescência. A exemplo da maior parte dos músicos e grupos que admiravam, buscaram espelhar em seu repertório as músicas que ouviam e cantavam: MPB , canções nativistas, pop, rock… E assim iniciaram, cantando em bares, restaurantes e festivais.
Passaram-se mais de 150 anos desde a chegada dos pioneiros imigrantes da Alemanha até a iniciação na música da sexta geração dos Schneider’s nascidos no Brasil. Os tempos são outros, muita coisa mudou, os jovens dispõem de tantas outras opções de lazer, mas a música continua integrando a família nas horas de folga, incentivando e desafiando a família e o Grupo Cultural Som Legal a levar essa mensagem de companheirismo, alegria, amizade, famílias, entre outros valores, para cada vez mais pessoas.
Hoje, The Schneider’s também se definem como “gaúcho-alemães”. Guardam no coração, no repertório e na mente o carinho e o respeito pela terra onde vivem, pelo município que um dia acolheu a família e no qual permanecem até hoje. Orgulho do Estado gaúcho e da nação Alemã de onde corajosos antepassados partiram na busca de uma vida melhor. Orgulho da história construída pela família, pela solidez das relações, pelos amigos, pela união e cumplicidade da família.

O Projeto
O trabalho que hoje está em suas mãos é fruto do desejo da família em compartilhar sua história com cada vez mais pessoas. É resultado de muita pesquisa e empenho de toda a família: Haini, Edel, Volnei, Magali, Thaís e Thales que se dedicaram durante meses separando fotos, revivendo e contando histórias, compondo, produzindo e gravando as músicas do CD, e divulgando as ações do projeto.
Este projeto foi financiado por recursos da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, através do Edital SEDAC nº 02/2012, no Edital de Concurso “Desenvolvimento da Economia da Cultura Pró-cultura RS FAC (Fundo de Apoio à Cultura)”. Conta com apoios institucionais importantes e foi inserido na Programação cultural oficial do Ano “Alemanha + Brasil 2013 2014 Quando Ideias se encontram”, parceria oficial que propõe o aprofundamento e a ampliação das relações entre os dois países, numa iniciativa do Ministério Alemão das Relações Exteriores (AA), sob a coordenação geral da Federação das Indústrias Alemãs (BDI) e do Goethe Institut (GI), e que tem como parceiros Ministério Federal de Educação e Pesquisa (BMBF) e o Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento (BMZ).
O projeto “Família Schneider: a família de gaúchos com raízes alemãs que há seis gerações mantém o gosto pela música apresenta: The Schneider’s, Quinze de Novembro, RS, Brasil” foi inscrito dentro do segmento “música”, com a finalidade de “Apoio ao Registro e à Memória, registrando informações sobre processos e bens culturais relevantes, em mídia diferenciada, com o objetivo de preservá-los e torná-los disponíveis à consulta e à fruição”. Consiste na produção de um livro, com conteúdo bilíngue (português/alemão), e de um CD áudio, com 15 (quinze) faixas produzidas pela família e 01 (uma) de domínio público. Os kits Livro-CD são distribuídos gratuitamente, sendo vedada a comercialização.
Mensagem Final:
A família Schneider cresceu em meio à música, apaixonada por cultura. Influenciados por grandes poetas da música brasileira e internacional, queremos cantar os conflitos, a convivência, a musicalidade, as alegrias, as dificuldades, os tropeços e recomeços, enfim, tudo o que atua na relação entre pais e filhos, a vida em família e sua importância no amadurecimento do ser humano.
Nossos filhos são influenciados pelo exemplo, e não por aquilo que simplesmente falamos. Queremos que todas as famílias sejam construídas nos alicerces sólidos do amor, do respeito, da cumplicidade, e que tenham belas histórias que possam contar se orgulhar. Transmitir histórias bonitas do modo singelo que a música nos proporciona é uma de nossas missões. E nós nos orgulhamos desta história e trabalhamos para poder contá-la a vocês.

Abraço da Família Schneider – 2013

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